"Pode ser absurdo que uma antropóloga social sugira ser possível imaginar um povo que não tenha sociedade. Contudo, o argumento deste livro é que, por mais útil para a análise que o conceito de sociedade possa ser, não justificaremos seu uso apelando para as contrapartes nativas. Na verdade, os antropólogos deveriam ser os últimos a contemplar tal justificação. Intelectuais formados na tradição ocidental não podem realmente esperar encontrar nos outros a solução para problemas metafísicos do pensamento do Ocidente. Igualmente absurdo, se refletirmos sobre isso, é imaginar que os que não participam dessa tradição irão de alguma forma focalizar suas energias filosóficas sobre questões como as da 'relação' entre a sociedade e o indivíduo."
(Marilyn Strathern - O gênero da dádiva - pg. 27)
